24 Maio 2012

Because tonight is just like any other night





And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said:
"If you're so funny
Then why are you on your own tonight?
And if you're so clever
Then why are you on your own tonight?
If you're so very entertaining
Then why are you on your own tonight?
If you're so very good-looking
Why do you sleep alone tonight?
I know...
Because tonight is
Just like any other night
That's why you're on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they're in each other's arms..."


bem assim.
23 Maio 2012

Frestas


Eu estava na livraria havia pouco mais de quarenta minutos. Os funcionários de lá já não sabiam mais como me fazer ir embora, desde que antes eu passasse no caixa, claro, onde trocaria quase metade do meu salário por nomes desconhecidos em páginas de couché 120g.
Já estava entediada e frustrada. Olhei lombada por lombada dos livros da seção de literatura estrangeira, procurando por qualquer coisa que me chamasse à atenção: um título de duas linhas, uma capa minimalista, uma palavra fora do contexto. Então ouvi alguém perguntar – e não era um dos meninos da loja – se ainda não tinha achado o que queria.
Estranhei que a voz tivesse vindo do outro lado da estante, por entre as frestas desiguais que eram moldadas por livros de tamanhos diferentes. Levantei os olhos, sem mexer a cabeça um milímetro sequer, e pensei “Cara chato. Será que ele não tem mais nada pra fazer, além de se incomodar com alguém que só está matando o tempo em uma livraria escura e empoeirada?”.
“Como vou achar o que eu to procurando se não sei o que é?”, respondi.
Achei ter sido o suficiente para que me deixasse em paz, mas não funcionou. Vi a boca dele esboçando um sorriso por trás dos livros. “Poxa, um cara difícil de cortar”, pensei.
“Tenta esse aqui, ó.”, ele disse.
Dei a volta na estante para ver quem é que tava falando comigo e o vi segurando um livro com uma capa ridícula, do tipo “foi o sobrinho do amigo do autor, que mexe com computadores, quem fez.”.
Julguei o livro pela tal capa, lógico, mas me contive em perguntar sobre o que era. Afinal eu já tinha tentado não continuar a conversa e não deu certo.
“Nada de mais. É só um cara normal, com uma vida normal, que um dia descobre que está vivendo a vida de outra pessoa”.
Levantei a sobrancelha direita, como faço quando quero demonstrar desdém por alguma coisa, mas, apesar de ter achado a ideia do livro meio imbecil, pedi pra ler o prefácio.
Oh, jeez, como eu detesto ler prefácios. Eles só servem pra alguém puxar o saco do autor e dizer que o livro é uma espécie de reflexo de uma suposta revolução na literatura contemporânea, uma obra-prima que deixaria os clássicos no chinelo e os escritores old school orgulhosos e outros blablablas, mesmo que seja só mais do mesmo.
Abri o livro e vi a foto de uma mulher parada em frente à bancada de uma cozinha, com uma caneca de café nas mãos. Pelo menos uma coisa boa, já que o resto todo não ajudava.
“Não confio em quem não bebe café. Talvez eu deva dar crédito à moça.”
“E eu não confio em quem lê Martha Medeiros, mas talvez deva dar crédito a você.” ele disse.
Droga. Eu tava com a bolsa abarrotada de coisas e dava pra ver, de cabeça para baixo, um pedacinho do livro que eu tava carregando. Eu sabia que algum dia isso ia me prejudicar. Só seria pior se fosse um daqueles livros de autoajuda, tipo “O segredo por Ana Maria Braga”, que estavam na “moda” na época.
Fiquei encarando aquele rosto estranho por uns 5 segundos, num misto de vergonha e curiosidade e, antes que minhas bochechas começassem a ficar vermelhas, perguntei, quase sem fazer pausas para respirar:
“Quer tomar um capuccino comigo? Eu pago. Assim, vc finge que eu não leio Martha Medeiros e eu finjo que não te achei um chato.”.
E hoje tenho a minha casa tomada por prateleiras que guardam os meus livros. Os nossos livros. Onde Martha Medeiros e Hanif Kureishi convivem numa boa, ao lado de xícaras de café vazias e porta-retratos.


14 Maio 2012

"Para ele, a música é libertadora: ela o liberta da solidão e da clausura, da poeira das bibliotecas, e lhe abre no corpo as portas por onde a alma pode sair para confraternizar."
(Milan Kundera - A Insustentável Leveza do Ser)


Lembrei disso lendo esse post no S&Y.
27 Abril 2012

Domínio público


Esperar nem sempre significa ter esperança. 

Assim, mesmo, sem citar o autor. Sem dar os créditos.
Porque, no fundo, essa conclusão é senso comum. É domínio público.
26 Abril 2012

Loving strangers


Já pensou que a gente pode conhecer uma mesma pessoa de um jeito diferente, todos os dias, em todos os lugares, em qualquer coisa e em qualquer época? E, mesmo assim, essa pessoa continuar sendo alguém estranho?


Eu já.
23 Abril 2012

Eu ia usar muito menos o Google se soubesse da existência do spectorama.com antes.

Separados pelo rock'n'roll



Ontem eu peguei no sono chorando. Fazia tempo que isso não acontecia. De repente, descubro que sou tão medíocre quanto todas as pessoas que eu mesma julgo - leia-se: "criaturas fúteis e rasas, fãs (apenas) de música sertaneja e qualquer outra coisa que toque nas novelas da Globo". Separados apenas por gêneros musicais, que ironia.
Eu queria saber tudo isso que você sabe. Juro. Eu queria que meu cérebro não confundisse Ramones e Doors (mesmo sendo coisas tãããão diferentes), se lembrasse dos nomes dos vocalistas e guitarristas (e nomes e datas dos álbuns, e bandas de que só ouvi falar uma vez) e não me fizesse passar por idiota (apesar de que, no fundo, achar que é isso que eu sou).
Prova disso são os caras que mais me interessaram até hoje, a ponto de fazerem eu querer ter um relacionamento "sério" com eles. Todos eram nerds quando o assunto é música, cinema ou literatura. Todos.
Não sei se eles são um problema pra mim ou se o problema sou eu, mas tudo leva a crer que é a segunda opção.
Sério. Eu tentei. Tentei lembrar daquele monte de nomes de pessoas que nunca vi, de bandas que só fizeram 4 ou 5  músicas de que gosto. De filmes "clássicos". De coisas cult. Mas não consigo, por mais que me esforce. E fico indignada com isso. Será que é o mesmo motivo pelo qual não consegui continuar no curso de História? Por, no fundo, não me interessar por essas coisas? Por não ter paciência? Por achar entediante? Acho que não. Afinal, se não me interessasse, não estaria escrevendo sobre isso. O que me leva a pensar que:
  1. Meu cérebro é um fdp que tá de zuação comigo. Só pode;
  2. Eu tenho um QI abaixo da media;
  3. Isso não acontece só comigo. É o mal a minha geração, que teve “enfiada goela abaixo o que o mercado quis”;
  4. Eu sou burra (o que volta ao item 1).

Independente das respostas, tentei achar um motivo para alguém se interessar por mim, “apesar dos pesares”. O que é, na verdade, do que esse post fala.
Se eu não sou inteligente, então, deveria ser bonita. Mas não sou. Por quê? Por que eu sou a versão Chubby ++ da Diablo Cody. Eu sou gordines, bolines, pachocha. E, como eu disse em um post anterior, o amor é para os magros.
Mas nem tudo está perdido. Se eu não sou inteligente, nem magra ou bonita, devo ter alguma qualidade que “me salve”. Mas não. Não tenho nenhum dom. Não sou absurdamente boa em nada. Escrevo mediocremente, canto razoavelmente, cozinho coisas “comestíveis”. Não sou divertida. Não sei contar piadas. Não sei fazer os outros rirem. Não sou amável. Não sou meiga. Não sou sexy. Não sou interessante. Não sou aplicada, não sou estudiosa, não me sobressaio em nada. Sou uma aluna mediana, uma profissional mediana, una pessoa mediana. Sou mais do mesmo, mais um copo meio vazio.
A essa altura vc nem sabe mais por que está lendo isso, né? Ok. Eu recapitulo:
  1. Sou um desastre com informações sobre música, cinema e literatura;
  2. Sou burra;
  3. Sou gorda;
  4. Sou pobre.

Ah, tá. Eu não tinha chegado no “sou pobre” ainda. Mas esse é o mais fácil. Presta atenção, você, filhinho de papai que tem tudo: aqui, meu bem, o esquema é complicado. Meus pais não me deram um carro quando eu passei na faculdade. Aliás, eles não pagam a minha faculdade. Nem a energia, nem a água, nem a internet que uso. Porque, né? Eu trabalho e tenho condições de pagar pelo “meu sustento”. E é aí, amigo, que vc (e td mundo) se engana. Não que eu reclame do meu salário, mas, em Uberbrejo (onde moro), designers e publicitários ganham o mesmo que uma diarista que trabalha 6 horas por dia e nunca precisou fazer uma faculdade ou se especializar. É, meu bem,”não está sendo fácil”, como diria (cantaria) Kátia, a cega. Eu trabalho 8 horas por dia pra ganhar um salário que mal cobre a minha faculdade e as outras nem tão ínfimas despesas. Eu não viajo mais. Eu não saio mais. Bar? Uma vez por mês e “olha lá”. Essa é a minha vida, esse é o meu clube.
Bem, mas.... por que, mesmo, eu estava reclamando? Ah, tá. Porque ninguém se interessaria por mim. Porque sou burra, gorda e pobre. E, sério, se nesse ponto ainda não faz sentido pra ti, eu te pergunto: em que mundo vc vive? 

Quem sou eu

Minha foto
"(...) Não é autoengano; é lucidez. Reclama do mundo e se mistura aos suores de seus algozes. Ri com os homens e debocha deles. Se diz vitima, mas esquece que mata mais do que morre. Está embriagada com o próprio destino. Queria tocar, ler e ir pra longe. Queria que os verbos não fossem só palavras. Da última gota, ela quer o frasco, a prova de seu hálito, de que ainda está ali. Pra ela não bastam as fronteiras. E o limite da morte é apenas algo que a faz gozar com mais força. Os cílios em riste; a alma despenteada. O coração bombeando os delírios que os pés tropeçam ao seguir. Menina interrompida, que tateia nos pensamentos uma saída possível, mas que nunca chega. Na roupa não traz botões; não traz fantasmas; só a leve fragrância daquilo que já não sente mais."
(por Renato Cabral)

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